Ads Top



Algumas pessoas escrevem pra gente perguntando por onde devem começar a ler Sherlock Holmes ou quais as histórias. São perguntas difíceis de se responder: temos as nossas preferências, mas todo o cânone merece ser lido, assim como alguns pastiches, e algumas adaptações para o cinema e TV devem ser vistas. São pequenas e excelentes histórias que não vão entediar aqueles que gostam de ação e tramas inteligentes e modernas o bastante para que você nem perceba que está lendo algo escrito há mais de 100 anos!

Porém, uma maneira divertida de começar é acompanhando as histórias já adaptadas por Steven Moffat, Steve Thompson e Mark Gatiss na nossa querida série da BBC. Pra isso, trazemos uma lista para que saibam quais as histórias que eles acharam merecedoras de uma adaptação.

Aqui não colocaremos maiores informações a respeito das tramas e sinopses; você se divertirá muito mais reconhecendo sozinho as situações, falas e diálogos espalhados por toda a série.


Lembramos que apesar de quase todos os episódios serem baseados em uma história principal, várias referências de muitas outras são vistas aqui e ali (O Banqueiro Cego tem referências de mais de 20 histórias juntas!), e essas nós recomendamos que você descubra depois de já iniciado no cânone -- também seria impossível listar cada detalhe de cada uma em um post.

Abaixo trazemos também links onde algumas referências são melhor explicadas ou mostradas em diálogos e imagens!  Aproveite! 






Primeira Temporada

Um Estudo em Rosa

Adaptação de Um Estudo em Vermelho, com referências de O Signo dos Quatro e outras.



O Banqueiro Cego

História original com tramas paralelas adaptadas de A Tragédia do Glória Scott, Os Dançarinos e O Vale do Medo, com referencias de O Tradutor Grego e outras.



O Grande Jogo*

História original com tramas paralelas adaptadas de O Tratado Naval e A Aventura dos Planos de Bruce-Partington (ou Os Planos do Submarino Bruce-Partington), com referências de O Problema Final no fim do episódio, Os Cinco Caroços de Laranja, Um Escândalo na Boêmia ("Eu ficaria perdido sem meu Boswell")Um Estudo em Vermelho (a aparente ignorância de Sherlock sobre o sistema solar) e outras.

*Curiosidade: "O Grande Jogo" se refere a um "jogo" real onde Holmesianos de todo o mundo acreditam que Sherlock Holmes e suas histórias foram reais e debatem sobre em encontros, artigos e outros.





Segunda Temporada


Um Escândalo na Belgrávia

Adaptação de Um Escândalo na Boêmia, A Aventura do Cliente Ilustre com referências de outras. Adaptado também do filme de Billy Wilder, "A Vida Íntima de Sherlock Holmes", que Steven Moffat considera "canônico". 

As palavras "Vatican Cameos!" que Sherlock diz ao abrir o cofre de Irene, foi retirada do seguinte trecho de O Cão dos Baskervilles: "Na época, tinha lido alguns comentários no jornal, mas estava extremamente envolvido no incidente dos camafeus vaticanos, e com a minha preocupação em compelir o Papa, perdi contato com muitos casos ingleses atraentes." 



São feitos trocadilhos com "A faixa malhada" (The Speckled Band), que se tornou "A loira malhada" (The Speckled Blonde) e "O tradutor grego" (The Greek Interpreter) que se tornou "O tradutor nerd" (The geek interpreter) no início do episódio.

Os Cães de Baskerville

Adaptação de O Cão dos Baskervilles, com referencias de outras.

A cena onde Sherlock vai a Watson se desculpar foi inspirada, segundo Mark Gatiss, em um trecho de A Aventura da Pata do Diabo, onde Holmes coloca Watson em risco e se desculpa posteriormente. É uma das raras vezes em que vemos Holmes demostrar apreço e preocupação para com Watson.


A frase "Eu não tenho amigos. Só tenho um.", foi inspirada na fala “'Quem viria essa noite? Algum amigo seu, talvez?'; 'Além de você, eu não tenho nenhum', ele respondeu." em As cinco sementes de laranja.



A Queda de Reichenbach

História original com tramas paralela adaptada de O Problema Final, com referências de A Escola do Priorado e outras.



Curiosidades: 


No final do episódio, Watson é atropelado por um ciclista. Há uma história original chamada "O Ciclista Solitário".


A sequência que mostra Moriarty subindo as escadas para o 221B foi assumidamente copiada de cena do filme-pastiche com Basil Rathbone, "A Mulher de Verde".





Terceira Temporada

A Terceira temporada toma rumos diferentes. Os personagens vão se desenvolvendo mais intima, emocional e psicologicamente - motivo de muita estranheza para os acostumados a fórmulas, motivo de alegria aos que abraçam o novo. Pois para isto também tem uma explicação e uma influência e ela se chama "A Vida Íntima de Sherlock Holmes", comédia de Billy Wilder lançado nos anos 70, já mencionado neste post, que com roteiro original, sempre observando o cânone, buscou  contar histórias mais íntimas que Watson nunca quis publicar e que foram achadas guardadas em um baú 50 anos após a morte de Watson. 


"Mas aquele manuscrito especificamente não foi dado à divulgação no período entre 1891 e 1927 porque continha temas que Watson gostaria de preservar, de manter em segredo. Meio século depois, aí sim, aquelas histórias poderiam ser conhecidas, já que o mal que eventualmente fizessem à reputação tanto dele quanto de Holmes não mais os atingiria; estariam mortos faria muito tempo."


Esta influência acontece desde a primeira temporada. Começou no Mycroft de Mark Gatiss, passou para uma mais explícita em Um Escândalo na Belgrávia e agora os roteiristas se sentiram livres para realizarem suas próprias versões. Tudo é assumido por Steven Moffat e Mark Gatiss em entrevistas e Q&A com o público. Billy Wilder sendo um dos grandes diretores do cinema de todos os tempos, só podemos recomendar que assistam!




O Carro Fúnebre Vazio


Adaptação livre de A Aventura da Casa Vazia. Um dos casos que aparecem para Sherlock e Molly tem referências a Um Caso de Identidade.

Sumatra Road, a estação fictícia onde o vagão-explosivo está estacionado, é uma referência a O Gigante Rato de Sumatra, um caso que aparece apenas mencionado nas histórias originais e que deu origens a vários pastiches, sendo um dos casos não escritos por Conan Doyle mais conhecidos. 

Já o caso do metrô foi retirado de uma história de Arthur Conan Doyle que não faz parte do cânone de Sherlock Holmes, porém suas características fazem com que os estudiosos acreditem que o detetive seja Holmes. A história integra o livro "As aventuras inéditas de Sherlock Holmes", publicado aqui pela editora L&PM e se chama O Enigma do Trem Perdido (ou só O Trem Perdido).
 

O Sinal dos Três

Não pode ser chamado de adaptação propriamente dito, mas contém várias referências a O Signo dos Quatro. O caso do guarda real é uma adaptação do conto O Corcunda com  A Faixa Pintada (ou A Banda Malhada) com referências a O Soldado Pálido.

Curiosidade: o caso da caixa de fósforo foi retirado de um que aparece somente no próprio blog do John Watson, aqui.




O último voto


O título faz referência à história O Último Adeus de Sherlock Holmes. O vilão é Charles Augustus Magnussen, do conto Charles Augustus Milverton, que Moffat já mandou todo mundo ler! 


E surgiram algumas imagens que sugerem referências ao conto O Homem da Boca Torta (ou O Homem do Lábio Torcido).


Sherlock: A Noiva Abominável - Episódio Especial

O episódio especial homenageia o cânone de Sherlock Holmes, levando os personagens para sua época de origem. Além disso, o especial é autorreferente, utilizando personagens, situações e diálogos já vistos em outros episódios ao longo da série. Muitas referências vistas na série são retomadas, como Um Estudo em Vermelho e O Problema Final. Além disso, a trama envolvendo a noiva traz referências de A Ponte Thor.

Esteticamente, a caracterização é uma homenagem à icônica série de Sherlock Holmes da Granada, tendo Jeremy Brett como protagonista. A abertura do episódio é também uma referência à mesma série.


Quarta Temporada

As Seis Thatchers

Apesar do nome imediatamente remeter ao conto Os Seis Bustos de Napoleão, esta história está incorporada a uma base principal, que toma a maior parte do episódio: O Signo dos Quatro. Se no T3E2: O Sinal dos Três as referências a esse romance estavam nas ameaças ao major Sholto e no casamento de Mary com Watson, aqui a maior inspiração está na história pregressa da família de Mary Morstan, que envolve ações militares, segredos e traições. Se no livro o tesouro de Agra não existe, neste episódio a série revela do que se trata a sua A.G.R.A. Além disso, temos a simpática participação do cãozinho Toby :)

Também aqui começamos a ver mais explicitamente o Watson de Três Continentes. Para quem não sabe, em O Signo dos Quatro Watson declara ser experiente em matéria de mulher, tendo conhecido mulheres "dos três continentes". Embora durante toda a série Watson esteja com alguma namorada ou paquerando alguém, sua intenção de trair a esposa com alguém que acaba de conhecer deixa mais explícita a fama de mulherengo.

Também há pequenas referências a O Vale do Medo, A Aventura da Face Amarela e A Vampira de Sussex, cuja trama familiar encontra paralelos nas motivações de Eurus, vistas no último episódio.



O Detetive Mentiroso

Adaptação de O Detetive Moribundo. Há ainda forte influência de O Signo dos Quatro na relação de Holmes com as drogas e na reprovação de Watson por isso.

Ao falar para as crianças no hospital, Sherlock fez referências a filmes de histórias de Sherlock Holmes. "o envenenador Blessington" se refere A Aventura do Paciente Residente. "Dreadcliffe House" é de um filme de 1945 com Basil Rathbone chamado Sherlock Holmes e A Casa do Medo e "O caso do Orangotango Assassino" é referência à história Assassinatos da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, uma influência para Conan Doyle.

O Problema Final

Este talvez seja o episódio que mais se afasta do cânone de Sherlock Holmes, embora haja referências por toda parte. Nas histórias originais Sherlock não tem outros irmãos além de Mycroft, apesar disso, existe uma teoria de fãs do cânone que supõe que Sherrinford seja um terceiro irmão jamais mencionado. Isso acontece porque Arthur Conan Doyle cogitou dar a Sherlock Holmes o nome de Sherringford Holmes, antes de se decidir definitivamente.

"A ideia me divertia. Como eu deveria chamar o camarada? Eu ainda tenho a folha do bloco de notas com vários nomes alternativos. Alguém se rebelou contra a arte elementar de dar pistas sobre o personagem através do seu nome, criando um Mr. Sharps ou Mr. Ferrets. No início era Sherringford Holmes; depois virou Sherlock Holmes. Ele não podia contar suas próprias façanhas, então deveria haver um companheiro que vivesse com ele em contraste - um homem de ação educado que poderia participar das façanhas e narrá-las ao mesmo tempo. Um nome silencioso e sem graça para esse homem discreto. Watson servia. E então, eu tinha meu objetivo e escrevi meu Estudo em Vermelho." (link)

O nome do episódio, obviamente, vem do conto O Problema Final. O Vento Leste é uma metáfora sobre a guerra, que Doyle faz em O último adeus de Sherlock Holmes. Victor Trevor é um amigo de Sherlock visto em A Aventura do Gloria Scott. Há ainda influências de O Ritual Musgrave.

Outras referências: O Vale do Terror, Os Três Garridebs

Os símbolos no quadro que aparece nos momentos finais do episódio são uma referência ao conto Os Dançarinos, uma história de 1903 de Conan Doyle em que um código é usado para mandar mensagens. Os 15 homenzinhos no quadro aqui são os mesmos usados na primeira mensagem da história original e significam "Am here Abe Slaney" ("Aqui estou Abe Slaney") 


Curiosidade: O romance O Nome da Rosa, do italiano Umberto Eco, parece ter sido lido pelos roteiristas de Sherlock. A história, uma espécie de adaptação de Sherlock Holmes durante a Idade Média, envolve a morte misteriosa de monges franciscanos em uma abadia na Itália. Guilherme de Baskerville (Guilherme é a versão latina do nome William) e seu ajudante Adso ("caro Adso") procuram desvendar o mistério, até que se deparam com o verdadeiro mentor, um verdadeiro Moriarty que jamais suja suas próprias mãos. Há várias passagens que indicam que Gatiss e Moffat devem ter lido o livro e uma possível referência na série é o início do mini-episódio Many Happy Returns. que trata brevemente de monges.

O episódio O Problema Final faz referências a diversos filmes de terror. Como Mark Gatiss é um fã de filmes do gênero e profundo conhecer, o diretor Ben Caron declarou ter tentado fazer o melhor que pôde para sair certo. As referências mais óbvias são O Chamado (ou sua versão original, Ringu), O Iluminado, A órfã e Jogos Mortais. Você pode ver outras aqui.

Quer mais?

Navegue pela nossa seção de Curiosidades (link) e veja os posts com easter-eggs, referências, curiosidades e muito mais em cada episódio de Sherlock!

Percebeu alguma referência nas tramas que não está aqui? Coloque nos comentários!


5 comentários:

  1. Adorei isso!

    Eu li algumas histórias há séculos atrás, então preciso reler para pegar as referências na série... rsrs!!

    ResponderExcluir
  2. Sensacional este post! Adorei! Obrigada, pois assim fica muito melhor gostar da série!

    ResponderExcluir
  3. Ver a serie posteriormente a leitura dos livros eh outra coisa. Me sinto um SH tentando achar referencias. Ultimo episodio dei um puta grito: CASO DE IDENTIDADE!! kkkkkkkkkkkkk Muito bom o post parabens pelo trabalho.

    ResponderExcluir
  4. Só um adendo: "o carro fúnebre vazio" é baseado em uma outra história do Doyle que alguns consideram "extra" no cânone sherlockiano, que é "O caso do trem desaparecido" (o nome já mostra a semelhança). Apesar do Holmes não aparecer nessa história, ela conta com a participação de um detetive sem nome que diz que "quando todo o impossível for eliminado, o que restar, ainda que improvável, deve ser a verdade". Esse conto pode ser encontrado no livro "Aventuras inéditas de Sherlock Holmes".

    ResponderExcluir
  5. O episódio "Seu último juramento" possui uma base no enredo do conto "Um escândalo na Boêmia", em que uma pessoa importante é chantageada por alguém de posse de documentos denunciadores de seu passado constrangedor (um rei, no conto; uma mulher do governo e a esposa do Watson, na série).

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.